Justiça dos EUA decide que FBI pode hackear PCs mesmo sem mandado

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O caso envolve um site de pornografia infantil, chamado Playpen, que podia ser acessado pelo Tor, um navegador desenvolvido para navegação anônima na web.

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m tribunal dos EUA decidiu que o FBI pode hackear um computador sem precisar de um mandado – uma decisão que está preocupando defensores de privacidade naquele país. O caso em questão envolve um site de pornografia infantil, chamado Playpen, que podia ser acessado pelo Tor, um navegador desenvolvido para navegação anônima na web.

No entanto, o FBI conseguiu derrubar o site em 2014, e então rastreou e prendeu os seus membros ao hackear os seus computadores. Isso permitiu que as autoridades coletassem os endereços do IP dos acusados de forma secreta.

Um dos suspeitos presos alegou que as provas contra ele foram obtidas de forma ilegal. Mas um tribunal de Vírginia, nos EUA, decidiu em favor do FBI, segundo documentos liberados no final da última semana.

O juiz do caso, Henry Morgan, decidiu que, mesmo que o FBI tenha obtido um mandado para hackear o computador do suspeito, não era necessário.

O suspeito pode ter usado o Tor para manter sua navegação anônima, mas seu endereço de IP continua não sendo informação privada, escreveu o juiz em sua decisão. Isso é porque o IP é fornecido para terceiros para acessar a Internet e até mesmo a rede Tor.

O grupo de defesa da privacidade Electronic Frontier Foundation se mostrou contrário a essa parte da decisão. “Caso seja mantida, essa decisão pode ter implicações muito fortes”, escreveu Mark Rumold, membro do grupo. Segundo ele, com isso as autoridades poderiam apreender informações do computador de uma pessoa sem um mandado, causa provável ou qualquer tipo de suspeita.

“Para dizer o mínimo a decisão é uma notícia ruim para privacidade”, afirmou.

O juiz, por sua vez, disse na decisão que o aumento dos casos de hacking mudou as expectativas das pessoas sobre privacidade.

“Por exemplo, o hacking é hoje muito mais presente do que há nove anos. Agora parece pouco razoável pensar que um computador conectado à Internet é imune a uma invasão”, afirmou o juiz.

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